Estranhos desconhecidos – história engraçada

Já percebeu que, com o passar o passar dos anos, começamos a conviver menos com as amizades de longa data e começamos a conviver com desconhecidos?!

Se você segue uma rotina de pegar o mesmo transporte público, no mesmo horário, e mesma linha, aí é que parece que existe até relativa interatividade entre as pessoas. Quase como se ambos esboçassem um “Opa, bom dia!”

Por essa razão decidi escrever sobre as pessoas desconhecidas – que já até tomei liberdade de nomear – que vejo todo dia, e a forma como as vejo.

A viagem começa na estação de Coelho Neto. Não tenho um vagão preferido. Vou no mais vazio. Às vezes nenhum é o mais vazio.

Nessa viagem existem personagens que me chamam a atenção, por causa dos seus comportamentos.

Na estação de Irajá, entra um casal. Eles parecem trabalhar em uma empresa de tecnologia por camisas com sufixo “TEC” e têm uma disposição cedo que eu invejo. Não que eu fique dando uma de moralista ou manjador de tesão alheio, mas eles não param de se beijar, do início do percurso até a Central – estação na qual eles descem.

Outro detalhe interessante do casal, é que nunca é ela que entra primeiro. É o rapaz que “invade” o monstro de aço e reserva uma “clareira” no mar de gente sonolenta. Sempre ele que se segura no poste. Ela, no bolso da calça jeans dele.

Mais a frente, Vicente de Carvalho , entra Carlos. Não sei o por quê, mas ele tem cara de se chamar assim.

O cara é grande. Deve ter por volta de 1,90 ou 2m. O som do fone de ouvido é alto. Alto pra peste! E ele curte tudo com os olhos fechados, como se ao mínimo esbarrão de alguém, ou pisão acidental em seu pé, ele desencadeasse um ataque de fúria, matando a todos do vagão.

Carlos parece ser de um escritório. A camisa é social e os sapatos geralmente pretos, mas não tão bem engraxados. Ele tem cara que acha o emprego um saco. Ou talvez, tenha apenas passado a noite na casa de alguém se divertindo e não teve como se arrumar nem descansar direito.

Ao olhar para o chão, vejo sentada Juliana. A criatura deve ser tipo aquele cara da série. O que tem três empregos, sabe?

Juliana dorme de um jeito, que a impressão que dá é que ela está em estado vegetativo. Ela senta no chão, cruza as pernas, e apoia a cabeça na parede do metrô. A expressão dela é a de quem está numa perfeita cama king size. O mais interessante é que, chegando no Maracanã, ela acorda. Perfeitamente linda, penteada e maquiada. Parece mágica.

Depois Maracanã, o carro começa a ficar mais vazio. Nessa hora consigo ver o Sr. Antônio.

Seus sapatos com bico de aço denunciam que ele trabalha em alguma oficina mecânica, estaleiro ou obra. Antônio é semelhante a Carlos (O grandão com cara de nervoso), no entanto, se vaidade nenhuma. O cabelo é sem corte, as unhas escuras e a barba alta. Ou talvez ele esteja na moda da barba. Vai que, né…

Sr. Antônio tem um comportamento. Ele não pode ver um decote. O cara não fala babaquices, ou demonstrar estar olhando, mas não consegue evitar uma olhada por menos de 4 segundos.

Mas ele é relativamente comportado. Ao menor sinal de reprovação, de qualquer pessoa ele muda o olhar. Sr Antônio não peca em olhar, peca em ser pego, pela falta de disciplina.

E para finalizar, já na estação Central, entra Howard. Ele é um cara de terno, óculos e parece sempre estar muito atrasado. Ele deve ter uma função tipo: Gerente das coisas da Empresa. Junto com toda sua vestimenta, seu inseparável celular, que parece que está sempre grudado a orelha.

O repertório de palavras de Howard é restrito. É comum ouvir palavras como: ATA, reunião, planilha e agenda.

Tente você, ao menos um dia, tirar a cara do celular ou livro e olhar ao redor. Transporte público é maior loucura!

 

via https://tapiocaverdadeira.wordpress.com/

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