Pé do diabo – lendas do folclore brasileiro

Há muito tempo na cidade Inhanguetá-ES, vivia um homem muito rico que para aumentar suas propriedades, ia se apossando, deslealmente, das terras alheias. Talvez por castigo do céu, terrível praga lhe foi assolando, destruindo sua fazenda, e pouco a pouco começou a empobrecer.

 Foi quando já desesperado com medo da pobreza que cada vez mais lhe consumia, resolveu fazer um pacto com o Diabo, para se livrar de vez, dessa má sorte e nunca mais ficar pobre.

 Às condições eram cruéis, mais  a sua velha ganancia o fez tomar a decisão, de numa meia-noite de uma sexta-feira entregar seu próprio filho e em troca, o Diabo lhe aumentaria as posses e a fortuna.

A mulher do fazendeiro, muito devota de Santo Antônio, logo que ficou sabendo dos planos do marido pediu, em orações, que salvasse a seu filho. Na meia-noite do dia marcado, o homem levou o filho a um lugar próximo de sua fazenda  colocou o garoto em uma pedra rasa, e ali o deixou sozinho, afastando-se rápido.

O Diabo logo aparece e tenta carregar o bebê. Foi quando lhe surge pela frente Santo Antônio que, riscando uma cruz na pedra – com um chicote, diz algumas versões que amedronta o Demo que some na escuridão da noite.

Na superfície da pedra ficaram as marcas dessa luta, a cruz e as pegadas do santo e do Diabo, e nunca mais se soube que triste fim levou o fazendeiro.