Ribeira do Pombal-Bahia

Ribeira do Pombal é um município brasileiro do estado da Bahia. Sua população estimada em 2018 é de 52.956 habitantes.

História

A Bahia foi escolhida, no século XVII, para sediar o Governo Geral de Portugal no Brasil. Isso favoreceu as condições de povoamento e prosperidade econômica, permitindo emparelhar a Bahia com Pernambuco e São Vicente.
Nas áreas litorâneas (Salvador, Recôncavo, Ilhéus e Porto Seguro) haviam diversas atividades econômicas.
Mas, e a resto da província?
Faltava povoar e explorar a “Sertão da Bahia” e o “Sertão de São Francisco”.
Isso se deu, primeiro, com o movimento jesuítico para a catequese indígena, ou por outra, amansá-los; depois com as fazendas de gado (currais).
Portugal precisava povoar as terras para que garantisse de vez sua posse.
Dos chamados desbravadores do sertão do Nordeste, o mais famoso foi Garcia D’Ávila, fundador da dinastia dos Senhores da Casa da Torre, numa fortaleza em forma de torre, a treze léguas ao norte de Salvador.
Seus domínios, doados pelo Governador Geral, começavam no litoral, entrando pelo sertão, Jeremoabo, sertão de Canudos, Itapicuru, Pombal, chegando ao Rio São Francisco, alcançando Pernambuco, Parara, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Numa área superior a países europeus, como Espanha ou Inglaterra.O vasto sertão baiano estava habitado por numerosas tribos indígenas. Na região de Pombal viviam os índios Kiriris (ou Cariris), pertencentes ao tronco Jê, chamados Tapuias.

Os jesuítas localizaram-se em aldeias, para a catequese, sertão a dentro e próximos às entradas que iam de Salvador ao Rio São Francisco, dentre elas, a meio caminho, Canabrava (hoje Ribeira do Pombal) e Saco dos Morcegos (Mirandela).
Os jesuítas Jacob Roland e João de Barros lideraram as missões, que a partir de 1666, construíram a igreja em Saco dos Morcegos, denominada Igreja da Ascensão do Senhor. Depois daí erigindo uma vila, com o nome Mirandela, pois se tratavam de padres portugueses da região de Miranda.
Em Canabrava edificaram outra igreja, réplica da de Mirandela, com o nome de Igreja de Santa Tereza, e a aldeia passou a chamar-se aldeia de Canabrava de Santa Tereza de Jesus dos Kiriris.
Essa passou a ser a maior aldeia Kiriris conhecida. A Região continuou também com as aldeias, seguidas da povoação dos não-índios em Cumbe (Euclides da Cunha), Natuba (Nova Soure), Tucano, Jeremoabo, Olindina, Bom Conselho (Cícero Dantas), Itapicuru, etc.
Mas a família Garcia D’Ávila considerava os índios propriedades suas (para a escravidão) par estarem estes em “suas” terras, chegando a terríveis impasses junto aos padres, que os consideravam “propriedades” da igreja.
Esse impasse chegou à guerra, onde num ato de covardia o Sr. Garcia D’Ávila matou quatrocentos índios já rendidos. Os índios homens, sobreviventes, foram levados para Salvador, como escravos.
A partir desse episódio, os Kiriris, sentindo-se próximas demais do perigo que vinha pela estrada, aos poucos foram se mudando para a aldeia vizinha, Mirandela, onde a população cresceu bastante.
A região de Pombal, por estar no meio do caminho entre Salvador e o Rio São Francisco, rota de tropeiros, aventureiros e outros viajantes, servia de parada para repouso, principalmente a aldeia de Canabrava.
A ocupação da região foi feita por frentes pastoris e inúmeras fazendas de gado, instaladas a começar das márgens dos rios.
Verificava-se o confronto entre os índios e os posseiros de maneira violenta em constantes massacres de ambos os lados, por gerações seguidas.
O mesmo se verificava nos arredores dos outros aldeamentos, em Cumbe (Euclides da Cunha), Natuba (Nova Soure), Cipó, Itapicuru, Jeremoabo, etc.

Economia

Ribeira do Pombal é um promissor entroncamento entre a capital e a região do São Francisco e entre Sergipe e o Sertão, envolvendo os municípios de Banzaê, Cícero Dantas, Antas, Sítio do Quinto, Jeremoabo, Quijingue, Tucano, Ribeira do Amparo,  Caldas de Cipó, Nova Soure, Olindina, Itapicuru, Heliópolis, Fátima, Adustina, Novo Triunfo e Paripiranga.

O PIB per capita de Ribeira do Pombal, segundo o IBGE, é de R$ 9.339,22.

O município é o maior produtor de mel de abelhas do país, ocupando a posição em 2014 (IBGE), com 450 toneladas, quanto registrou aumento de 50% em relação ao ano anterior, quando produzia 300 toneladas e ocupava a sétima posição na produção nacional, ultrapassando Botucatu-SP e Içara-SC, entre outros grandes produtores de mel.

A cidade é sede da Central de Cooperativas dos Apicultores da Bahia (Cecoapi), que chega a reunir mais de dois mil apicultores.

O município possui razoáveis rebanhos bovino (gado de corte), ovino, caprino, suíno, asinino e equino. É produtor de feijão, a mandioca (cultura nativa cultivada desde a época dos Kiriris), milho, castanha do caju e mel.

Infraestrutura

Educação

Em 2015, os alunos dos anos inicias da rede pública da cidade tiveram nota média de 5 no IDEB[14]. Para os alunos dos anos finais, essa nota foi de 4. Na comparação os demais municípios da Bahia, o resultado dos anos iniciais coloca Ribeira do Pombal na 44ª posição entre os 417 municípios do estado. Considerando a nota dos alunos dos anos finais, a posição passava a 35 de 417. A taxa de escolarização (para pessoas de 6 a 14 anos) foi de 96.6 em 2010. Isso posicionava o município na posição 297 de 417 dentre as cidades do estado e na posição 4099 de 5570 dentre as cidades do Brasil.

Saúde

O município possui o Hospital Regional Santa Tereza que, em 2018 teve sua configuração administrativa alterada para passar a ser um hospital regional gerida por um consórcio de municípios da região Nordeste II, nordeste da Bahia.

A taxa de mortalidade infantil média é de 15.02 para 1.000 nascidos vivos. Conta com 13 unidades de saúde municipais espalhados pelos bairros e povoados e 15 unidades de saúde particulares.

Apresenta 26.5% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 73.6% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e somente 6.9% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio).

Cultura

Caretas do Barrocão ( Distrito de Vila Rodrigues)

Essa tradição foi criada na década de 50 por um famoso morador apelidado de Raimundo Briba, evento realizado excepcionalmente no domingo de páscoa, onde moradores fantasiados saem nas ruas, fazendo festa, amedrontando e jogando pó nos foliões participantes, ao termino da festa é lido o testamento do judas, onde são revelados alguns segredos da comunidade, sátiras politicas e sociais em forma de cordel. A brincadeira inicialmente era realizada com mascaras de papelão, pano e utensílios domésticos, hoje a brincadeira evolui usando máscaras importadas do México, e fantasias elaboradas dando assim uma renda extra, para muitas pessoas na comunidade, a mesma se prepara para um verdadeiro carnaval fora de época.

Filarmônica XV de Outubro

Fundada em 1.887, um grupo de militares vindos do estado de Sergipe, sob o comando de um sargento aposentado, passa a residir em Ribeira do Pombal. Apaixonados por música, fundam a primeira banda de sopro do lugarejo.

Quadrilhas Juninas

A cidade conta com aproximadamente cinco quadrilhas tradicionais que se apresentam em festas da cidade e regiões vizinhas. Todas realizam seus famosos  “Arraiás de Rua”, onde o grupo responsável pela festa recebe as quadrilhas das demais ruas, criando um elo entre elas  o que acaba reforçando e ajudando a manter a tradição.

Reisado do Alexandrino

Há aproximadamente 70 anos atrás, na longínqua fazenda Alexandrino, situada na região semi-árida do município, a família do senhor Beijo Pereira, de tradição religiosa, organiza todos os anos, homenagens para o dia de Reis. Assim surgiu o grupo de Reisado do Alexandrino, com características folclóricas e personagens que misturam gente e “bichos”. Eles realizam através de versos, cantigas de roda e adivinhas um misto de beleza e criatividade que encanta a quem assiste. Passado de geração em geração, chega aos dias atuais sob o comando de Dona Mariana de Beija que comanda com entusiasmo e vivacidade o grupo composto dos familiares e vizinhança local.

Bacamarte da Boca da Mata

O grupo de Bacamarte ou “bacamarteiros” como é popularmente conhecido, representam uma tradição de mais de cem anos. As espingardas que realizam tiros sincronizados anunciam sempre a chegada de boas notícias ou acompanham festejos religiosos, como as festas de padroeiro e procissões.

O Bacamarte da Boca da Mata foi passado de geração em geração e é composto de oito membros que saem pelas ruas com indumentárias típicas, de reis para prestarem homenagens e agradecimentos aos santos devotos.

Banda de Pífano

A cidade conta com cerca de três bandas de Pífano sendo uma situada no bairro da sede (Pombalzinho), uma na fazenda Curralinho e outra no Povoado Boca da Mata.

Site oficial da cidade