Traição? – história engraçada

Era a minha primeira vez na casa da minha namorada. Eu e Marta já estávamos namorando há seis meses e o aniversário do irmão dela era a oportunidade perfeita para conhecer todos da família dela de uma forma descontraída. Eu sempre odiei aqueles filmes em que o cara vai para a casa da namorada e todos se sentavam a mesa e forçavam conversa. Algo tipo: “O blog é Tapioca Verdadeira eim?! Então…é sobre comida?” Um saco!

Na casa dela estava tudo legal. Todos estavam me tratando super bem, inclusive meu sogro. Toda hora ele me dava um tapa nas costas e enchia meu copo e dizia: !

-E ai, meu camarada, estão te tratando bem?
– Sim, sim Sr Howard.

Minha sogra, dona Misty, também estava sendo sensacional comigo. Ela era uma coroa muito bonita, aparentava ter uns 60 anos, mas a disposição e sorriso faria qualquer um a considera-la uma MILF. Ela era muito gentil, sempre se aproximava e perguntava se eu precisava de algo. !

-Meu filho, ta com fome? E esse copo vazio ae?! Vai dar dengue eim! Toma aqui, encha isso.
-Ah, obrigado.

Era muita cerveja naquela casa e, logicamente, eu estava ficando mais doido que o Pato Donald. Isso porque eu já não estava falando nada com nada. Veja um exemplo de diálogo com meu sogro: !

– A filha é minha e eu espero muito que você respeite.
-Não…eu vou respeitar, vou respeitar, vou respeitar…Ela é uma mulher incrível e o senhor é um cara muito baca, muito gente…muito maneiro!
-Obrigado. Você é camarada também.
(Muita ternura. Clássico papo de bêbado)

Quando ele chegou

Por volta de 23h, quando eu já mal me aguentava em pé, apareceu um cara muito simpático na festa, e comecei a trocar ideia com ele. O papo fluía muito bem. O desgraçado era bom de ideia. (talvez tivesse sido por isso…)

O Naruto era amigo de infância da minha namorada. Quando ela o viu, deu pulou na direção dele e lhe deu um abração apertado. Olhei sorrindo. Um abraço não é nada demais.

Como os dois engataram numa conversa do tipo: “Lembrando quando a gente…” Preferi sair de perto. Não dava para eu ficar só de espectador. Resolvi então trocar ideia com outras pessoas na festa. Todos eram tão legais e a cerveja estava infinita.

Em meio ao assunto dos dois, eu começava a não entender mais NADA do que estava acontecendo. No entanto, durante uma viajada mental, percebi que estava tocando forró. Logo uma sirene ligou em minha cabeça: Ele estava dançando com ela. E o filha da mãe mandava bem! E ela? Só sorrisos.

A minha expressão deve ter mudado de maneira muito radical, pois um galera que percebeu a situação logo me tranquilizou:

-Ih cara, relaxa. Ali é só amizade.
-Pode crer. (Eu não consegui formular resposta melhor)

Nesse momento parte do meu álcool passou. Porém, mais uma vez, vem dona Misty encher meu copo:

-Meu filho, o que ta acontecendo. Se o Howard perceber você com copo vazio vai sobrar pra você! Ele vai te chamar de marica. Sabe como é esse povo de Marinha né?! Levam copo a sério.

Eu só consegui sorrir.

Segui a festa conversando e deixei os dois dançando, afinal, tinham me dito que não ia rolar nada. Mas esse estágio de calma durou pouco.

É impressionante como toda família tem um tio zuão. Ele é aquele ser humano que sua razão de existência é fazer piadas, muitas vezes inconvenientes, e que tem um grande poder de fazer você ser sacaneado durante anos, graças a um apelido que ele te dá. Na família da Marta tinha um, o Mohamed. Assim que ele viu Marta dançando com Naruto, chegou perto, apertou meu ombro e falou bem perto do meu ouvido:

– Parcero, pra você tá vendo aquilo e estar na boa, vai rolar um threesome hoje. Vai ou não vai?!

E terminou a frase com uma risada ao estilo HUE HUE HUE

Eu pensei em espancar ele, mas eu só tentava fazer alguma coisa para acabar com aquela cena que, até então estava apenas na minha cabeça, mas, aos pouquinhos, ia se materializando em minha frente.

De todas as coisas que aconteceram acima e o começo da dança dos dois, passaram-se apenas 10 minutos. Mas foi mais do que suficiente para que o safado, sem vergonha, camundongo e sujo do Naruto, já estivesse bem colado com a minha namorada e com a mãozinho xexelenta na lombar dela. E todo mundo sabe que quem repousa a mão ali, é quase certo de marcar gol.

Não aguentei, levantei da cadeira, fui até eles e a puxei. Ela veio sorrindo e dizendo que eles estavam apenas dançando, de fato estavam, mas me incomodava demais.

Ela se sentou do meu lado e eu fiquei calmo.

Passada a adrenalina, veio o álcool com força total, eu avisei para ela, que me guiou até o banheiro.

Eu estava vomitando demais e Marta segurou minha cabeça durante a maior parte do tempo. Quando terminei, me dei conta que quem segurava minha cabeça era dona Misty.

Fraco, bambo e bêbado, voltei para a festa. Mais uma vez, os dois estavam dançando coladinhos. Eu queria arrebentar a cara do Naruto, mas eu não podia, eu não ia conseguir. Imagina a impressão que eu ia deixar dando merdada em uma pessoa importante da família. Eu, ali, estava completamente entregue a situação.

No entanto, uma coisa eu podia fazer. Leva-la para dormir comigo. E foi o que eu fiz. Ela até relutou um pouco, dizendo que queria curtir mais a festa, porém, a convenci de que eu não estava legal e precisava de ajuda.

Lembro-me apenas de ter batido na cama e dormir profundamente.

No dia seguinte, quando acordei, parecia que eu estava em outra casa. A música alta não estava mais lá e ninguém estava dançando, muito pelo contrário, a cara de ressaca era geral.

Perguntei a minha namorada se ela havia dormido bem. Marta estava cheia de olheiras e bocejando toda hora. Ela sorriu e disse:

-Eu tive uma noite maravilhosa.

Quanto ao Naruto, mesma cara de sono e bocejos. Resolvi não fazer a mesma pergunta. Segui aquela frase: Se não vi ou não lembro, não aconteceu.

 

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